ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, BEM-ESTAR E ATITUDES RETALIATÓRIAS NO CONTEXTO LABORAL DE ENFERMEIROS

Kellyn Christina Borges Vargas, Lilia Aparecida Kanan, Juliana Cristina Lessmann Reckziegel

Resumo


Este estudo centra atenção em três construtos que influenciam, em alguma medida, a saúde dos trabalhadores: organização do trabalho, atitudes retaliatórias e bem-estar no trabalho. O bem-estar está relacionado com a maneira positiva que o trabalhador vê a empresa e que com ela se relaciona: se há características neste ambiente que o fazem sentir-se bem, ou que lhe dê prazer ao executar suas funções; se há comprometimento afetivo com a função, bem como a existência de motivação. A redução e/ou ausência do bem-estar refletem no desempenho do trabalhador e na maneira com que desenvolve suas funções. Neste caso, as consequências podem ser as atitudes retaliatórias, definidas como atitudes de revanche para com a empresa - por exemplo, gastos desnecessários, atos de violência contra membros da equipe, omissão ou procrastinação. Este estudo objetiva analisar a associação entre organização do trabalho, bem-estar no trabalho e tendência às atitudes retaliatórias de Enfermeiros que atuam em um município de médio porte da Serra Catarinense. Especificamente pretende-se: (a) caracterizar sua percepção em relação à organização do trabalho; (b) identificar seu bem-estar no trabalho; (c) verificar a tendência às atitudes retaliatórias em resposta às demandas/contexto do trabalho. Trata-se de uma pesquisa quantitativa na qual 56 enfermeiros alocados na Secretaria Municipal de Saúde responderam a três instrumentos: Escala de Bem-Estar no Trabalho (EBET) que avalia as dimensões: (a) afetiva: emoções e humores no trabalho, (b) cognitiva: percepção de expressividade e realização pessoal no trabalho; quanto à organização do trabalho, utilizou-se um questionário que buscou avaliar a satisfação/insatisfação em relação a: (a) o conteúdo da tarefa; (b) o sistema hierárquico; (c) as modalidades de comando; (d) as relações de poder; escala Medida de Atitude em Relação à Retaliação Organizacional (MARO) que avalia as dimensões: (a) afetiva: emoções e humores no trabalho, (b) conativa: tendência consciente para atuar, a reação que atuaria diante das situações de injustiça. Por se tratar de uma pesquisa de mestrado ainda não concluída é possível apresentar os seguintes resultados parciais relativos a análise dos questionamentos: 96% dos participantes são do sexo feminino; 67,9% têm entre 26 e 35 anos; 80,4% têm pós-graduação lato sensu completa; 50% recebem entre 8 e 10 salários mínimos; a maioria (67,9%) tem entre 1 e 5 anos de tempo de serviço; 71,4% se dedicam exclusivamente ao serviço público municipal de saúde; 58,9% têm uma carga horária semanal acima de 40 horas; 37,5% revelam que inexiste a possibilidade da perda do atual emprego; 51,8% coordenam equipe de trabalho constituídas por dez pessoas ou mais. A análise dos resultados decorrentes da EBET revelou que preocupação, irritação, incômodo e tensão estão presentes em percentuais superiores a 30%. Tais resultados encontram consonância com aspectos positivos associados ao contexto de trabalho quando percepções de bastante contentamento, entusiasmo, empolgação, orgulho, tranquilidade e felicidade são revelados por menos de 20% dos participantes. Conclui-se (parcialmente) que o bem-estar no trabalho encontra-se em prejuízo no contexto laboral destes enfermeiros.

Palavras-chave


Organização do trabalho, Bem-estar no trabalho, Atitudes Retaliatórias



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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