GRUPO DE GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃO - GAM

Sued Macedo Lopes, Graziane Gessica Gomes Ferreira, Elenice Maria Folgiarini Perin, Pamela Silva dos Santos, Daiana Hackbarth

Resumo


A Gestão Autônoma da Medicação - GAM se embasa no desafio enfrentado pelas equipes de Saúde da Família, onde os recursos para o tratamento de pessoas com transtornos mentais estão centralizados nos medicamentos, colocando em segundo plano outras formas de cuidado. A estratégia da GAM reconhece que as pessoas têm uma experiência singular em relação ao uso de psicofármacos, e a importância de aumentar o poder de negociação entre usuários e profissionais envolvidos em seu tratamento. A proposta GAM se apresenta como uma ferramenta prática e útil, que visa oferecer além de informações técnicas, perguntas amplas e abertas que remetem as experiências e significados individuais de usar determinados medicamentos. É uma estratégia para ser praticada de forma coletiva, de modo dialogado e compartilhado. O grupo GAM tem como objetivos problematizar junto aos usuários os conceitos de saúde integral; dialogar sobre sua participação nas decisões do tratamento, provocando a criticidade em relação ao uso do medicamento psicotrópico como principal intervenção, estimulando a autonomia dos usuários, familiares e profissionais de saúde acerca do tratamento prescrito, utilizando os preceitos do Guia de Gestão Autônoma da Medicação - Guia GAM; e ainda legitimar a GAM como uma estratégia de atenção em saúde mental a ser oferecido pela Estratégia de Saúde da Família, contribuindo para os processos de desinstitucionalização. O grupo da GAM é desenvolvido em uma Unidade Básica de Saúde, iniciou em julho de 2015, numa intervenção multiprofissional e intersetorial, tendo como participantes profissionais da Estratégia de Saúde da Família, Núcleo de Apoio à Saúde da Família, Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade e estudantes de Psicologia. Ainda, o projeto da GAM está vinculado ao CNPQ, portanto ocorrem encontros semanais de estudo e planejamento das atividades. Os participantes da GAM assumiram o desafio de criar um espaço para problematizar e dialogar com os usuários, familiares e profissionais, sobre a co-gestão do tratamento para o transtorno mental na atenção básica. Espera-se que as pessoas que fazem uso de medicação psicotrópica, muitas vezes de forma desassistida, onde escolhem livremente a dose e a duração do tratamento, sem a participação ou orientação de um profissional de saúde, possam transformar essa relação; passem a fazer de forma compartilhada com as equipes de saúde, num espaço que favoreça a troca de informações, esclarecimentos, e participação ativa do usuário e seus familiares nas decisões sobre o melhor tratamento, como também, encontrar estratégias diferenciadas para o tratamento em saúde mental.

Palavras-chave


medicalização, co-gestão, saúde mental.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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