ÚLCERA PÉPTICA COM EVOLUÇÃO PARA ESTENOSE DE PILORO: RELATO DE CASO

Thais Bedin, Osmar Guzatti Filho, Denise Krieger

Resumo


Úlcera péptica é definida como uma ruptura da mucosa gástrica ou duodenal que ocorre quando os fatores protetores da mucosa são prejudicados ou sobrepostos por fatores agressores. No estômago, úlceras benignas são localizadas, mais comumente, no antro (60%) e na junção do antro com o corpo, na curvatura menor do estômago (25%). A incidência da doença ulcerosa péptica tem sido estimada em torno de 1.500 a 3.000 por 100.000 habitantes por ano. As prevalências estimadas no decorrer da vida são de hemorragia (15%), perfuração (20%) e obstrução (2%) em pacientes com úlcera péptica. A cirurgia eletiva para o tratamento da úlcera péptica tem sido virtualmente abandonada. Somente 1 a 2% dos pacientes necessitam de tratamento cirúrgico, por consequência de obstrução gástrica e/ou duodenal, sendo sequelas decorrentes de úlceras pré-pilóricas recorrentes, devido à formação de cicatrizes e estreitamento do piloro. O objetivo desse trabalho é relatar o caso de paciente acompanhada durante eletivo, que procurou atendimento médico, com o quadro de vômitos frequentes há mais de 3 meses e perda ponderal importante. Como metodologia foi realizado o relato de caso, onde a paciente foi submetida à Endoscopia Digestiva Alta (EDA) e observada no período de internamento - de 23 de junho a 01 de julho de 2015. O estudo teve o consentimento formal da paciente mediante ciência de seu anonimato, seguindo sigilo conforme o código de ética médica. No dia 23 de junho, o paciente, procurou atendimento médico em clínica particular na cidade de Lages-SC, com quadro de vômitos frequentes e perda ponderal importante (5kg em um mês). Foi submetida à EDA, onde observou-se lago gástrico alimentar, mesmo após jejum de 24 horas, presença de estenose pilórica e lesão ulcerada rasa, com convergência de pregas e endurecida à biópsia. Foram coletadas amostras de antro gástrico e encaminhadas para exame anatomopatológico. O resultado mostrou estrutura geral alterada, diminuição da população glandular e acentuada irregularidade de fovéolos. O epitélio foveolar e glandular mostrou alterações com tumefação citoplasmática e hiperplasia epitelial, formando pequenos brotamentos intralumiais, de natureza reparativa. No córion superficial encontrou-se infiltração inflamatória e acentuada permeação neutrofílica no epitélio fovéolo-glandular. A paciente foi encaminhada para internamento em Hospital conveniado ao SUS, onde recebeu tratamento clínico, e após melhora do quadro, recebeu alta hospitalar. Estudos demostram que, com o surgimento dos antagonistas de receptores H2, inibidores de bomba de prótons e, especialmente, com a descoberta e o tratamento do Helicobacter pylori, a maioria dos casos de doença ulcerosa péptica e até mesmo suas complicações como a estenose vem sendo manejada clinicamente. Liu e Wu demonstraram, que em 1.989 casos de dor incurável e estenoses pilóricas deixaram de ser indicação para cirurgia. Assim, procedimentos para obstrução gástrica e/ou duodenal devido à doença ulcerosa péptica se tornam assuntos raros no dia a dia do cirurgião e o paciente não é exposto a procedimentos invasivos.

Palavras-chave


Úlcera Péptica. Estenose Pilórica. Manejo Clínico.



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