NEUROCRIPTOCOCOSE

Paula Dierschnabel Weis

Resumo


O presente trabalho apresenta uma breve revisão bibliográfica acerca da Neurocriptococose, uma infecção fúngica que acomete o sistema nervoso central. Este estudo foi realizado a partir da experiência vivenciada na área de clínica médica durante a Unidade Educacional Eletivo do curso de medicina, no período de 27 de Julho à 21 de Agosto de 2015. O objetivo deste estudo consiste em revisar publicações sobre a criptococose, enfatizando sua manifestação mais comum, a Neurocriptococose. A metodologia utilizada constitui uma revisão bibliográfica em sete literaturas baseadas em pesquisas em bases indexadas SciELO e LILACS, livros de Medicina Interna, publicações do Ministério da Saúde e artigos publicados veiculados entre 2007 e 2013, com assuntos relacionados à definição da criptococose e suas manifestações, fatores de risco, critério diagnóstico e tratamento. As palavras-chaves incluíram: Meningite criptocócica, HIV e Criptococose. A criptococose é uma micose de natureza sistêmica de porta de entrada inalatória causada por fungos patogênicos do complexo Cryptococcus neoformans, sendo adquirida através da inalação de partículas infecciosas aerolizadas. Causam meningoencefalite de base, de evolução grave e fatal, acompanhada ou não de lesão pulmonar evidente, fungemia e focos secundários para pele, ossos, rins, supra-renal, entre outros (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012). Caracteriza-se por uma infecção fúngica que apresenta duas formas: cutânea e sistêmica. A forma sistêmica apresenta-se frequentemente como uma meningite subaguda ou crônica, caracterizada por febre, fraqueza, dor no peito, rigidez de nuca, dor de cabeça, náusea e vômito, sudorese noturna, confusão mental e alterações de visão (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Em indivíduos normais, a infecção fica restrita aos pulmões e é assintomática, sendo provável a persistência de poucos micro-organismos no interior de granulomas subpleurais nos casos de infecção pulmonar. No indivíduo imunodeprimido, o micro-organismo pode ser reativado e disseminar para outros locais (GOLDMAN et al., 2009). Quando o fungo acomete o SNC, a meningoencefalite é a forma clínica mais comumente diagnosticada, ocorrendo em mais de 80% dos casos, quer sob forma isolada ou associada ao acometimento pulmonar. Manifesta-se de forma comum como meningite ou meningoencefalite aguda ou subaguda, com lesões focais únicas ou múltiplas em SNC (PINCER, 2012). De acordo com BRAUNWALD et al. (2013), o exame citoquímico do LCR compatível com meningite criptocócica é variável na dependência da imunodepressão, entretanto a maioria dos pacientes apresenta pleocitose (acima de 10cels/mm³) linfomonocitária, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia. A levedura pode ser vista no escarro, lavado brônquico, LCR, pus de abscesso, urina, aspirados da medula óssea e de gânglios, fragmentos de tecidos, com grande sensibilidade. A cultura é o padrão ouro para o diagnóstico, sendo que o Cryptococcus cresce bem em meio de cultivo que não contenham ciclo-heximida (CONSENSO EM CRIPTOCOCOSE, 2008). O tratamento antifúngico atualmente recomendado é baseado nos resultados de um estudo randomizado publicado há uma década. O esquema inicial foi com anfotericina B (0,7 a 1mg/kg/d) com flucitosina (100 mg/kg/d) por 2 semanas, seguidos de um período de consolidação com fluconazol (400 mg/d) ou itraconazol (400 mg/d) por 8 semanas ou até que as culturas de LCR se tornem negativas (JARVIS et al., 2007).

Palavras-chave


Meningite criptocócica; HIV; Criptococose



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