APLICAÇÃO DA HIPOTERMIA TERAPÊUTICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Guilherme Henrique Ávila do Carmo

Resumo


INTRODUÇÃO: Durante a Unidade Educacional Eletivo, realizada na emergência do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres (HNSP), tive a oportunidade de visualizar inúmeras patologias e uma série de procedimentos. Dentre esses, o que me chamou atenção pela complexidade e importância foi a aplicação da Hipotermia Terapêutica (HT) em pacientes que haviam sofrido paradas cardiorrespiratórias. OBJETIVOS: O objetivo desse relato é fomentar a discussão acerca Hipotermia Terapêutica, técnica que presenciei algumas vezes durante a Unidade Educacional Eletivo, e estimular a propagação do conhecimento sobre o tema. Abordar os aspectos relacionados à compreensão das fisiopatologias envolvidas e também abordar as dificuldades da sua aplicação. METODOLOGIA: O método de pesquisa escolhido foi revisão de literatura. Utilizei artigos publicados em plataformas online que foram disponibilizados entre os anos de 2010 a 2014. DISCUSSÃO: A HT, que pode ser descrita de maneira simples como redução controlada da temperatura central dos pacientes com objetivos terapêuticos pré-definidos e é uma técnica utilizada há mais de 50 anos em cirurgias cardíacas e em cirurgias neurológicas. Nos últimos anos o tema voltou a ter grande impulso e tornou-se terapêutica bem estabelecida no tratamento pós-parada cardiorrespiratória (FEITOSA-FILHO, 2011). A justificativa fisiopatológica para a utilização dessa técnica encontra-se no fato de que parada cardiorrespiratória causa cessação abrupta do fluxo sanguíneo cerebral, produzindo isquemia dos neurônios, gera a quebra de membranas celulares, promove edema cerebral citotóxico ainda gera grandes quantidades de ra­dicais livres, como peróxido de hidrogênio, superóxido e peroxidonitrito, todas substâncias com potencial neurotóxico. Nesse contexto, a hipotermia terapêutica (HT) tem de­monstrado ser um tratamento eficaz em reduzir o dano isquê­mico cerebral produzido durante diferentes insultos neuroló­gicos pois a técnica reduz a demanda cerebral de oxigênio, promovendo proteção contra isquemia. (RECH, 2010). Existem diversas maneiras quanto à execução da técnica de resfriamento. Apesar da diversidade de técnicas, o método mais prático e ágil talvez seja a infusão de líquido gelado, por via venosa. Essa técnica utiliza a infusão de solução a 4 graus em cateter central com volume de 30 a 40 ml/kg em 30 minutos e permite uma redução de 3 a 5 graus por hora. A infusão de líquidos gelados provavelmente é a mais promissora por ser rápida, prática, segura e de baixo custo (FEITOSA-FILHO, 2011). Essa técnica é a utilizada com mais frequência no HNSP. As complicações mais frequentes da hipotermia terapêutica são as arritmias cardíacas, infecções, coagulopatia, status epilepticus, hipertermia rebote. O clínico responsável deve estar atento a essas complicações para maneja-las o mais breve possível e evitar mais danos ao paciente (CROSSLEY, 2014). Durante o estágio não foram visualizadas complicações em procedimentos de hipotermia terapêutica. CONSIDERAÇÕES: A hipotermia terapêutica é uma excelente técnica para a redução de danos neuronais nos pacientes que sofreram paradas cardiorrespiratórias, porém poucos serviços aplicam essa técnica de maneira rotineira. Dessa forma, torna-se vital a discussão acerca do tema para torna-la mais frequente em nossos serviços.

Palavras-chave


Medicina de emergência; Parada Cardiopulmonar; Hipotermia Terapêutica



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