A Genealogia De Michel Foucault

viviane zapelini

Resumo


Segundo Diez e Horn (2004, p. 36) sob a ótica Foucaltiana vemos uma opção metodológica que é a Genealogia, a qual questiona o porquê histórico e político, sem interesse na origem, mas na transparência daquilo que se intende projetar. O estudo objetiva aventar um instrumento que possibilitará a emergência de uma outra visão, mesmo a respeito de fatos já pesquisados, sem objetivos de ordem linear ou sequencial, não descrevendo fatos que estão em evidência no momento, mas o estudo de valores do cotidiano sem se constituir uma teoria ou metodologia acabada e sim um aprendizado ou o desvelar na ocorrência de fenômenos no espaço institucional. A genealogia é tida como um método ou como uma técnica interpretativa e não hermenêutica, a qual pressupõe uma verdade que pode ser mostrada, por um suposto saber. Foucault não julga, mostra a realidade do discurso, assim esclarecido por Araújo (2000,p. 09). A genealogia desenvolvida por Michel Foucault, segundo Yasbek (2013, p.91) procura desnudar a maneira como os discursos se investem em instituições diversas e, com efeito, balizam práticas extradiscursivas que informam determinadas formas de exercício de poder. A genealogia busca a origem dos saberes, da configuração de suas positividades externas aos próprios saberes. A genealogia se propõe a fazer uma descrição da história de muitas interpretações que nos são contadas e que nos tem sido impostas de forma inversa da percepção dos enunciados que são repetidos como se fossem grandes achados e não invenções (Veiga Neto, 2003). Isso pressupõe o entendimento de que a história se torna história daquilo que os homens chamaram de verdades e de suas lutas em torno dessas verdades. (Veyne,1998,p.268). A genealogia não recorre ao passado para explicar o presente, para Michel Foucault (2014, [s.p.]) é o passado que se configura, adquire forma, no infindável combate que os homens travam no presente, buscando dar a ele uma consistência, uma memória que sirva de suporte para projetos, estratégias que apontam para a construção de verdades possíveis sobre o ser do homem no tempo. Para Faé (2004, p. 413) Foucault entende a genealogia como uma atividade de investigação trabalhosa, que procura indícios nos fatos desconsiderados, desvalorizados e até mesmo apagados pelos procedimentos da história tradicional, na busca da confirmação de seus questionamentos. A genealogia se torna uma atividade que busca a singularidade dos acontecimentos, sobretudo daquilo que não toma parte da história, como os sentimentos, a consciência, os instintos, a subjetividade. (Faé, 2004, p. 413). Assim sendo, segundo Foucault (2014) a genealogia não busca a destruição do que somos, nem de uma avaliação do passado em busca de uma nova verdade, mas de uma análise do que somos, enquanto atravessados pela vontade de verdade, se constituindo no estudo das formas de poder ser múltipla, ter diferenças, surgir nas singularidades e no poder de ser reversível. Estas são relações de força que se convergem ou se opõem (Ferreirinha; Raitz, 2010). Com efeito, a genealogia escuta a história, presta atenção nos acasos e suas descontinuidades.

Palavras-chave


Michel Foucault, Genealogia, História, Verdade.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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