O trânsito em Lages: um exercício etnográfico do Alpendre à avenida

Gustavo Cezar Waltrick, Geraldo Augusto Locks

Resumo


Esta pesquisa etnográfica foi desenvolvida como atividade de avaliação para a disciplina de Antropologia do segundo semestre de 2013 do curso de História da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC). O objetivo do trabalho é descrever e refletir sobre o comportamento dos motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres no trânsito de uma das avenidas mais modernas e movimentadas da cidade de Lages, SC, a Av. Dom Pedro II. A relevância do trabalho reside no fato do trânsito se constituir num espaço de circulação e de sociabilidade privilegiada da cidade moderna. Realiza-se por diferentes meio de locomoção, particularmente, o uso de veículos motorizados tornou-se o principal meio de circulação. A indústria automobilística a cada dia desova milhares de carros no mercado. Com isto, a cidade vive sérios problemas de mobilidade, apresentando um trânsito caótico, ruas quase intransitáveis. Surge o estresse gerado pelo trânsito. Notícias envolvendo pessoas em acidentes, com vítimas fatais ou com sequelas de toda ordem estão naturalizadas. Então, investigar este fenômeno, torna-se importante para dar maior visibilidade ao problema, advertir a sociedade para a prevenção contra qualquer forma de vilência por meio da educação do trânsito e buscar soluções para este problema extremamente complexo. O método de pesquisa utilizado foi a etnografia, - que supõe um olhar “disciplinado”, um conjunto de registros realizados durante o trabalho de campo, a análise e escrita de um texto - tendo como referencias teóricos autores como MALINOWSKI (1976), DAMATTA (1997), OLIVEIRA (1998), RIFIOTIS (2009), PIMENTA (2010). A pesquisa etnográfica pressupõe a observação direta e participante, que implica na relação contínua do pesquisador com seu objeto de pesquisa e o uso do diário de campo para as anotações de caráter objetivo e subjetivo. Por um dia observamos o movimento do trânsito, realizamos entrevistas com motoristas, pedestres e moradores das cercanias do trecho da avenida. Do ponto de vista do olhar e da reflexão antropológica, o trânsito realizado por sujeitos sociais, é compreendido como um organismo vivo e dinâmico, parte essencial do modelo atual das cidades do século XXI. É um espaço de convivência e de sociabilidade. Do ponto de vista dos resultados obtidos pela pesquisa, podemos afirmar que a observação ultrapassou a simples contabilidade de veículos que circulam o espaço por um determinado tempo. Identificamos elementos que configuram o que denominados de “cultura do trânsito”: a imprudência nas passagens pelos semáforos, as relações afrontosas entre motoristas, o desrespeito para com o pedestre e sua faixa de travessia preferencial; a falta de atenção no dirigir o veículo, o uso de celulares enquanto o veículo encontra-se em trânsito, os motociclistas que não respeitam seu espaço de circulação, mostrando absoluto desrespeito em relação as regras do trânsito. Esperamos que com este trabalho de pesquisa, a Universidade, conforme seus preceitos de trabalho fundados no ensino, pesquisa e extensão, possa contribuir com a problematização do trânsito na cidade contemporânea.

Palavras-chave


Etnografia. Trânsito urbano. Relações sociais.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
EDITORA UNIPLAC | PORTAL DE REVISTAS UNIPLAC
e-mail: propepg@uniplaclages.edu.br | Fone: (49) 3251-1009
Copyright 2012. Editora UNIPLAC