O pé dos diabéticos: conscientizando o doente diabético sobre os seu pés.

Ana P. Rigon, Denise Krieger

Resumo


Diabetes mellitus (DM) é um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia. Essa hiperglicemia crônica, quando não adequadamente controlada, evolui com sérias complicações. Este estudo teve como objetivo discutir o pé diabético como complicação do DM e orientar os pacientes sobre como cuidar de seu pé. Trata-se de revisão de literatura motivada pelo acompanhamento prático na área de Clínica Médica durante a Unidade Educacional Eletivo do 3º ano do curso de Medicina da UNIPLAC, com base em livros clássicos e artigos publicados em língua portuguesa e inglesa e indexados em bases de dados PUBMED e CIELO. Como critérios de inclusão foram utilizados os seguintes descritores: Medicina Interna, Diabetes Mellitus, Pé Diabético. Os problemas com os pés são uma importante causa de morbidade para as pessoas com DM, que apresentam um risco maior de serem submetidas a amputação que as pessoas não-diabéticas. As complicações do pé diabético, assim como consequentes amputações, geram um elevado gasto financeiro com hospitalização prolongada, reabilitação, necessidade de cuidados domiciliares, além dos custos indiretos, como afastamento do trabalho e emocionais. Sem contar que três anos após amputação de um membro inferior (MMII), a porcentagem de sobrevida do indivíduo é de 50% enquanto, no prazo de cinco anos, a taxa de mortalidade permanece de 39% a 68%. O pé diabético é conceituado pelo Consenso Internacional como infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos moles associados a alterações neurológicas e vários graus de doença arterial periférica (DAP) nos membros inferiores. Sabe-se que um problema no pé do diabético pode evoluir para condições mais graves mesmo na ausência de sintomas. Na maioria do casos (85%), as amputações dos MMII relacionadas ao DM são precedidas de uma úlcera no pé. A neuropatia diabética (ND) desempenha um papel central e aumenta com a idade do doente, o tempo de duração da DM e com a gravidade da hiperglicemia. A DAP é o fator prognóstico mais importante na úlcera do pé e devido a aterosclerose. Frequentemente, os doentes com DAP não tem sintomas devido à perda de sensibilidade causada pela ND coexistente. Microtraumatismos, associados à susceptibilidade à infecção, provocada pelo ambiente hiperglicêmico, a disfunção leucocitária e da imunidade celular e pele seca, são outros fatores importantes. Classicamente, são definidos três tipos de pés: isquêmico (frio, com ausência dos pulsos tibial posterior e pedioso dorsal); neuropático (redução da sensibilidade); neuroisquêmico. A abordagem educativa desempenha um importante papel na prevenção das lesões do pé nos diabéticos. Orientações como inspeção diária de pés, meias e calçados apropriados; higiene dos pés, corte de unhas retas e uso de creme ou óleo hidratante. Evitar o uso de produtos químicos para remoção de calos/verrugas, objetos cortantes ou pontiagudos, devido ao perigo de provocarem ferimentos na pele. Assim, a partir desta revisão, observou-se que o manejo dos pés da pessoa com diabetes é complexo, pois exige uma estreita colaboração e responsabilidade tanto dos pacientes, como dos profissionais, para rastrear os problemas reais e potenciais, evitando, assim, o desenvolvimento de complicações, principalmente da mais temida, a amputação.

Palavras-chave


Medicina Interna. Diabetes Mellitus. Pé Diabético



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