Historicidade e Visualidade: proposta para uma nova narrativa na educação matemática

ivone catarina buratto, claudia regina flores

Resumo


Esta pesquisa trata do papel da historicidade e da visualidade para a formulação de uma nova narrativa na Educação Matemática. Para tanto, interrogamos como historicidade e visualidade podem se constituir como ferramentas para esta elaboração. Nosso objetivo, portanto, voltou-se para discutir e analisar de que modo esta nova narrativa poderia proporcionar uma compreensão do visual como construção cultural e histórica. Para esta discussão, validamos nossos preceitos embasados em estudos teóricos advindos da literatura nacional e internacional, donde podemos citar Kilpatrick (1994), D’Ambrosio (1996, 1999), Duval (1999, 2004), Guzmán (2000), Passos (2000), Andrade e Nacarato (2004), Miguel e Miorim (2004), Miguel (2005), Cifuentes (2005, 2009), Flores (2007a, 2007b, 2008, 2010), Biza, Nardi e Zachariades (2008, 2010), Valente (2008), Mendes (2009), Passos, Nardi e Arruda (2010), dentre outras, e de problemas históricos oriundos do tratado de perspectiva elaborado pelo artesão renascentista Albrecht Dürer, sendo muitos deles já estudados e adaptados nas pesquisas de Meneguzzi (2009) e Suárez et al (2006), permitindo relacionar geometria, arte e visualidade, bem como construir conceitos e noções de espaço e geometria numa perspectiva crítica da matemática, nos auxiliando na proposta de fomentar a discussão sobre novas narrativas na contemporaneidade. Vale lembrar que este novo processo de narrativa que propomos não deixa de possuir em seu caráter formativo, reflexivo e potencializador de produção de sentidos à experiência. Para tanto, estamos sempre sendo desafiados a compreender a matemática como um fator de desempenho na formação de capacidades intelectuais, firmando então que temos condições de romper com ideias enraizadas na estrutura educacional. Por consequência, trazemos uma contribuição sobre o modo de tratar história e visualidade em cursos de formação de professores, deixando claro que não tivemos a intenção, neste momento, de discutir e analisar tal proposta com os mesmos, mas de elaborar um argumento teórico sustentado e sustentável, isto é, um texto escrito para subsidiar novas pesquisas para a continuidade do estabelecimento de novas fronteiras na Educação Matemática. E, que através destes deslocamentos de historicidade e visualidade de cunho teórico, desta pesquisa, fica a sugestão para a retomada em futuras pesquisas metodológicas, como, por exemplo, com a questão de “como as máquinas de Dürer poderiam ser potencializadas na formação de professores, instaurando novas metodologias e novas relações com o conhecimento matemático?â€. Pois, a arte e matemática podem ser profícuas tanto para a criação de atividades quanto para a compreensão das bases da visualidade matemática na formação de professores. Outros questionamentos e problematizações poderão surgir após a organização de um ensino realizado através de narrativas, passíveis de serem abordadas nas demais áreas da Educação. Desta maneira, podemos compreender, a partir das reflexões oferecidas pela pesquisa, que se faz possível aprender, ensinar, produzir conhecimentos, construir conceitos e entender que o processo em nenhum tempo estará completo. Deste modo, as narrativas e as práticas reflexivas e colaborativas podem constituir-se em estratégias fundamentais para a formação de qualquer profissional, considerando a história como uma estratégia para questionar hábitos, saberes e técnicas que, atualmente, usamos no ensino.

Palavras-chave


Historicidade; Visualidade; Novas narrativas na Educação Matemática; Práticas do olhar.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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