POLÃTICAS DE AMBIENTALIZAÇÃO UNIVERSITÃRIA DO CAMPUS CURITIBANOS DA UFSC

Kauê Tortato, Lúcia Ceccato de Lima

Resumo


Introdução: As universidades servem ao público como acervo e/ou laboratório cultural, científico, e tecnológico, fornecendo síntese, refino e inspiração para modelos científicos, sociais e humanistas. Elas também agem por meio da educação de pessoas que poderão contribuir com a construção de relações socioambientais mais adequadas. A partir de pressões internas, movimentos ambientalistas e de políticas internacionais (como a “Declaração de Talloiresâ€, 1991 e a “Declaração das Universidades para um Desenvolvimento Sustentávelâ€, 1993) surge o processo sociocultural de Ambientalização Universitária (A.U.) que conceitua-se como a inserção de perspectivas socioambientais onde elas não existem ou estão tratadas de forma inadequada, desenvolve-se como um processo sociocultural contínuo, não pontual e integrado à realidade educacional em que se insere, necessitando de compromissos institucionais de base. A matriz teórica desse trabalho é a racionalidade ambiental que surge das relações no terreno prático de uma problemática social generalizada, orientando o saber no campo estratégico do poder e da ação política (Leff, 2006). No caso deste trabalho a problemática generalizada é uma melhor compreensão do(s) tratamento(s) dado às questões socioambientais adotadas pela UFSC (no) Campus Curitibanos. Objetivo: Abordando esta problemática buscou-se discutir o processo de ambientalização universitária desse campus tendo como objeto as ações de gestão e políticas ambientais aplicadas no seu processo de instalação. Métodos: Realizou-se, para estes fins, pesquisa documental de natureza qualitativa analisando-se as normas institucionais e portarias relativas à gestão e políticas ambientais da universidade. Resultados: Por meio das análises qualitativas preliminares percebe-se que até o momento não foram elaborados instrumentos de licenciamento e planejamento ambiental, acredita-se que tanto o licenciamento, necessário por trata-se de instalações possivelmente impactantes em área rural, quanto o estudo e impacto de vizinhança (pela demanda de alteração do plano de diretor) são instrumentos de legitimação e controle social importantes pois, permitem aos órgão e aos cidadão participarem das deliberações sobre a instalações de grandes obras. No âmbito intra-institucional as políticas de gestão ambiental atuam desarticuladamente, agindo contingentemente sob demandas pontuais e urgentes. Por outro lado, destaca-se um aspecto positivo da gestão ambiental do campus de Curitibanos: a colegialidade das decisões, pois faz parte do modo operante a formação de comissões (CISSP - Comissão Interna de Saúde do Servidor Público criada em 2012, Comissão de Uso e Ocupação do Solo criada em 2013) o que oportuniza a participação dos segmentos da comunidade universitária. Conclusões: Em conjectura, acredita-se que a ausência de uma integração com o plano diretor municipal e a desintegração e não sistematização da regulamentação ambiental são os fatores que mais tornam a política ambiental da UFSC sujeita a interferência da micropolítica, de particularismos e diletantismos individuais e é agravante da descontinuidade de iniciativas de responsabilidade socioambiental em meio a trocas de gestão. O despreparo da política institucional para atender a característica da multicampia é outro traço a ser aprimorado nas políticas ambientais da UFSC. Reflexões e ações institucionais para combater estas deficiências contribuiriam para que os modelos socioambientais e humanísticos procurados pela sociedades possuíssem uma identidade mais coerente e menos fragmentária e circunstancial.

Palavras-chave


Ambientalização, Políticas de Gestão Ambiental, Ensino Superior



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