Miopatias: Relato de caso

Rafael Frizon, Marcio Petenusso, Laíse Dias Ferreira, Roberto Odair Grassi, Matheus Antonio Fabro

Resumo


As miopatias são doenças estruturais e/ou funcionais dos músculos, resultante de uma variedade de etiologias. Manifestam-se fundamentalmente por fraqueza, devendo ser diferenciadas das doenças do neurônio motor, das neuropatias periféricas e das doenças da junção neuromuscular, assim este tem como objetivo de descrever um paciente com diagnóstico de Miopatia por corpos de inclusão citoplasmática. Tratou-se de um relato de caso de um indivíduo atendido no Ambulatório de Saúde do Adulto do curso de Medicina da Universidade do Planalto Catarinense. Relato de Caso: PS, 54 anos, masculino, casado, aposentado por invalidez há 25 anos, testemunha de Jeová, morador de Lages. O paciente informa que teve dificuldade de deambular desde os 26 anos de idade. O início foi com uma leve paresia de pé direito, a qual foi aumentando a compressão atingindo pé esquerdo, pernas, coxas, foi ascendendo até atingir os quatros membros. A evolução da paresia ocorreu em aproximadamente dois anos, perdendo toda a força motora, porém mantendo a parte sensitiva intacta. O exame neurológico mostrou: psiquismo e linguagem normais, déficit motor em membros superior e inferior bilateralmente (força grau I), tônus muscular aumentado em quatro membros, hipotrofia muscular dos quatro membros, reflexos tendinosos presentes, sensibilidade e nervos cranianos normais. Trouxe exames complementares, biopsia muscular, a qual sugeria uma Miopatia por corpos de inclusão citoplasmática. Discussão: As miopatias inflamatórias compreendem um grupo heterogêneo incomum de distúrbios, caracterizado por lesão mediada imunologicamente e inflamação principalmente dos músculos esqueléticos proximais. Podem ter etiologia definida (viral, bacteriana, parasitaria, por drogas e outras) ou serem de causa não definida ou idiopática (polimiosite/miosite por corpúlos de inclusão citoplasmática). São três os distúrbios incluídos nesta categoria: dermatomiosite (há envolvimento da pele e dos músculos esqueléticos), polimiosite (ausência de envolvimento cutâneo com prevalência em adultos), miosite com corpos de inclusão citoplasmática (com envolvimento dos músculos distais, especialmente extensores do joelho e flexores dos pulsos e dedos das mãos). As estimativas atuais da incidência anual das miopatias inflamatórias são de aproximadamente cinco casos por milhão de habitantes. Na evolução da doença pode ocorrer degeneração, atrofia e necrose das fibras musculares e depósitos de sais de cálcio. Tem caráter geralmente progressivo. No diagnostico diferencial de pacientes com miopatia devem ser consideradas doenças que cursem com algum tipo de lesão muscular, como miosites hereditárias, toxicas, endócrinas (hipertireoidismo e hipotireoidismo com tireoidite ou não, amiotrofia diabética), infecciosas, metabólicas (hipofosfatemia), alterações eletrolíticas (hipocalemia), neuromusculares (neuropatias, doenças do neurônio motos periférico, miastenia), doenças reumatológicas e outras. As miopatias estão entre os grupos de desordens mais fascinantes, seja em relação ao tratamento, seja em relação à pesquisa. São poucas as desordens neuromusculares tratáveis do ponto de vista medicamentoso. O paciente ou o familiar conhecerão o nome da doença, seu provável modo de herança, serão informados de sua incurabilidade e que, frequentemente piorará. A ideia de que a falha em curar ou prolongar a sobrevida em muitas doenças neuromusculares é triste constatação que frequentemente nos deparamos por falta de um conhecimento holístico ou abordagem em termos de reabilitação.

Palavras-chave


miopatias, paresia, diagnostico diferencial



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