RESULTADO FALSO POSITIVO PARA HIV EM PACIENTE COM LÚPUS ERITEMATOSO SISTEMICO

Felipe Serena Porto, Roberto Odair Grassi, Cristiano Antonio Grassi, Karina Reinert Grassi, Marcio Petenusso

Resumo


Introdução: O exame sorológico de triagem para o HIV é o ELISA anti-HIV, que tem uma sensibilidade extremamente alta (>99%) e baixo custo. Apesar de alta sensibilidade, o ELISA anti-HIV tem uma especificidade limitada, ocorrendo um número considerável de falso-positivos. Isso ocorre pela reação cruzada de outros anticorpos antivirais ou mesmo auto-anticorpos com os antígenos do HIV. Portanto, este teste não pode se propor à confirmação diagnóstica, sendo necessários outros exames que aumentem a especificidade, como o Western-Blot; este é considerado o melhor teste confirmatório para a infecção pelo HIV, com especificidade muito alta, em torno de 99,7%, embora seja mais oneroso. Objetivo: Relatar um caso de Falso positivo para HIV em uma paciente com LES atendida em um hospital da serra catarinense. Metodologia: Relato de caso. Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 26 anos, branca, casada, natural e procedente de Florianópolis/SC, ensino médio completo, trabalha como operadora de caixa. Apresentou como queixa principal “dores nas juntasâ€. Relata que há aproximadamente um mês iniciou com quadro súbito de artralgias em mãos, punhos, cotovelos, ombros, joelhos e tornozelos, assimétricas e por vezes migratórias, sem sinais flogísticos locais no momento das crises. Por vezes apresenta limitação à movimentação e dificuldades para deambular. Refere também alguns episódios de febre (>38°C) piorando as dores. Nos atendimentos médicos anteriores foi medicada com anti-inflamatórios não esteroidais, apresentando melhora parcial do quadro. Informa também que apresenta queimaduras solares na face com facilidade. Relata parentes de primeiro e segundo grau com artralgias. Ao exame físico apresentou-se hipocorada (+/4), sem outra particularidade. Os exames laboratoriais demonstraram: Hemograma com hemoglobina de 10,8 g/dl, com diferencial de células normal. Creatinina, ureia e eletrólitos normais. VHS 59, PCR 74. FAN reagente: Núcleo reagente, placa metafásica reagente, padrão nuclear Homogêneo. Título superior a 1:640. Toxoplasmose IgG reagente e IgM não reagente. Anti HIV (ELISA) reagente 27 (1ª Coleta) , anti HIV (ELISA) reagente 16 (2ª coleta). A partir desses dados a paciente foi informada dos achados e prosseguiu-se a investigação com mais exames laboratoriais; dentre eles o dado que positivou foi o anti DNA nativo – reagente 1:40, o que permitiu o diagnóstico de LES, e Western Blot para HIV – não reagente. Foi iniciado tratamento com Hidroxicloroquina 400mg/dia; a paciente já estava em uso de prednisona 40mg/dia, ela teve melhora do quadro de artralgias, recebeu alta com orientação para a redução da dose da prednisona. Considerações: Muitos fatores e patologias podem cursar com resultados falso-positivos para HIV, como: vacina contra influenza A H1N1; artrite reumatóide; doenças autoimunes (LES, doenças do tecido conectivo e esclerodermia); colangite esclerosante primaria; terapia com interferon em pacientes hemodialisados; síndrome de Stevens-Johnson; anticorpo antimicrossomal; anticorpos HLA I e II; infecção viral aguda; aquisição passiva de anticorpos anti-HIV (de mãe para filho); tumores malignos. Observa-se que dentre essas as doenças reumatológicas são as mais expressivas. Durante a fase investigativa do paciente, cabe ao médico um olhar atento para os possíveis diagnósticos diferenciais. Pois alguns resultados de exames podem ofuscar sua visão, e acabar direcionando-o para um diagnóstico errôneo.

Palavras-chave


HIV; LES; Falso positivo para HIV



REVISTA UNIPLAC
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