Complexo demência-AIDS em um paciente com diagnóstico prévio de transtorno bipolar

Marco Antonnio Rocha dos Santos, Gabriel H. Peres, Luisa Caropreso, Nadja L. Tiellet, Fabio Siquineli, João Filipe de Oliveira

Resumo


O presente trabalho é um estudo de caso diagnosticado como complexo demência-AIDS em um paciente de 40 anos, presenciado durante o período de prática curricular na Unidade Educacional Eletivo do curso de Medicina da UNIPLAC, no serviço de neurologia de um hospital da região do médio vale do Itajaí. Tem como objetivo a discussão acerca da evolução do caso e de como o diagnóstico fora dificultado por um tratamento já iniciado de transtorno bipolar. O complexo demência-AIDS é a apresentação de um quadro demencial progressivo, em decorrência de uma infecção ativa crônica pelo vírus HIV. É um diagnóstico a ser considerado em casos de déficit cognitivo progressivo em pacientes jovens. O vírus invade o sistema nervoso central através da entrada de monócitos infectados pela barreira hemato-encefálica, sem participação de células CD4 na fisiopatologia da doença. As manifestações clínicas mais frequentes são alterações cognitivas como declínio da função de memória, orientação em tempo e espaço; de movimentos como ataxia, lentificação, tremores; e, de humor incluindo mania, depressão, esquizofrenia. A Ressonância magnética de crânio mostra leucoencefalopatia inespecífica, atrofia cortical difusa e lesões em gânglios da base. Seu diagnostico é baseado pela pesquisa confirmada laboratorialmente de infecção pelo HIV, sinais clínicos da demência confirmados por testes cognitivos e pelos achados de imagem em ressonância nuclear magnética de crânio. O paciente atendido e cujo caso é relatado não tinha ciência da infecção por HIV e iniciou com comportamentos maniformes e episódios depressivos, recebendo inicialmente o diagnóstico de transtorno bipolar. Ao apresentar alterações de motricidade com quadro de parkinsonismo e aspectos demenciais, sem melhora com uso de medicação específica para o transtorno de humor, é internado aos cuidados do serviço de neurologia hospitalar. Considera-se uma ampla gama de diagnósticos diferenciais até a confirmação laboratorial de infecção por HIV, solicitada de acordo com a rotina do serviço. Após investigação, define-se o diagnóstico de complexo demência-AIDS - encefalite por HIV. Discute-se ao final as hipóteses diagnósticas e conclui-se que é necessário avaliar a probabilidade diagnóstica com base em dados epidemiológicos, no caso, uma causa infecciosa de demência em paciente jovem é mais provável pelo perfil de risco do paciente e deve ser a primeira hipótese a ser testada.

Palavras-chave


complexo demência-AIDS; demência em paciente jovem; mania; HIV



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