DESMISTIFICANDO A DOR NO TRABALHO DE PARTO: REFLEXÕES JUNTO A UM GRUPO DE GESTANTES DE LAGES, SC

Suellen Muller Andrade, Carla Taise Wolff, Fabiana Francisca de Souza, Thaise Antunes dos Santos, Suian de Liz Gonzaga dos Santos

Resumo


Introdução: O trabalho trata-se de um relato de experiência onde, a dor no trabalho de parto sempre foi motivo de preocupação entre gestantes. Medo do desconhecido, ansiedade, aspectos culturais, sociais, ambientais, características individuais e experiências prévias, influenciam na forma como irá enfrentá-la. Falar sobre a dor pode favorecer o enfrentamento do parto de forma fisiológica, natural. Diante da institucionalização do parto, diversas são as tecnologias empregadas para o alivio da dor porém, pouco se discute sobre o que as gestantes pensam, que métodos de alívio gostariam de empregar e sobretudo, como a equipe de saúde encara a dor das gestantes. Objetivos: desmistificar a dor do trabalho de parto, compartilhando e esclarecendo diversos aspectos que a envolvem, com vistas a promover a humanização do nascimento Método: Utilizamos a Roda de Conversa como método de trabalho. O grupo de gestantes funciona semanalmente nas dependências da Secretaria Municipal de Saúde de Lages, onde diversos temas são tratados com profissionais da saúde. Propusemos abordar o tema “dorâ€, devido aos constantes questionamentos em outras ocasiões. Participou como convidada uma enfermeira obstetra da maternidade local. Propusemos ao grupo 2 questões norteadoras: “o que você pensa sobre a dor?†“você conhece algum método para alívio da dor?â€. Resultados: De modo geral a dor foi identificada como inexplicável, fato que aumentava o grau de ansiedade das gestantes em deparar-se com o desconhecido. Uma das gestantes que já havia experimentado o parto normal trouxe a evidência da violência institucional frente as diferentes formas de manifestar a dor. Mediante este relato, houve uma grande comoção entre as gestantes, apontando o medo da reação da equipe frente a dor da gestante sendo maior que o medo de enfrentar a dor. Apenas uma gestante relatou preferir cesareana para não sentir dor. Houve uma classificação da dor feita pelo grupo: a dor boa (natural) e a dor ruim (provocada pelo soro - ocitocina sintética) evidenciando a necessidade de rever o uso da ocitocina em gestantes de baixo risco. Na segunda questão norteadora: a maioria das gestantes desconhecia métodos não farmacológicos de alívio da dor. A enfermeira obstetra da maternidade demonstrou diferentes formas de alívio da dor oferecidas (massagem com óleos essenciais, aromaterapia, banho de chuveiro, bola terapêutica, presença do acompanhante, etc). Foi demonstrado na prática, exercícios respiratórios para promover relaxamento. Conclusão: As gestantes participaram ativamente das discussões trazendo seus relatos pessoais, enfatizando inicialmente aspectos negativos de enfrentamento da dor. Ao falarem sobre seus medos e expectativas as gestantes perceberam que não são únicas e que partilham sentimentos semelhantes, porém com diferentes formas de enfrentamento. Após expressarem seus sentimentos relataram significativa redução da ansiedade inicial, em especial do medo do desconhecido. A violência institucional aponta para a imediata necessidade de discussões sobre dor entre profissionais que atendem a gestante e transformação do modelo de atenção vigente. Recomenda-se que os grupos de gestantes reservem um momento para falar sobre dor, pois a avaliação desta atividade foi extremamente positiva entre as gestantes.

Palavras-chave


dor do parto, educação em saúde



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