Relato experiencial Bloqueio Atrioventricular Total

Laíse Dias Ferreira, Rafael Frizon, Matheus Antônio Fabro, Roberto Odair Grassi

Resumo


O bloqueio atrioventricular total (BAVT) é definido como a inabilidade de um impulso atrial propagar-se aos ventrículos utilizando os sistemas de condução normal. É uma bradiarritmia, em que o ritmo de base é idioventricular de escape, fixo e totalmente dissociado da atividade atrial. Quando o BAVT é adquirido, por cardiopatia ou degeneração senil do sistema de condução, o paciente quase sempre tem sintomas de baixo fluxo cerebral ou diminuição do débito cardíaco, como tonturas, síncopes e insuficiência cardíaca. Assim, este tem como objetivo descrever um paciente com BAVT através de um relato de caso de um indivíduo atendido no Pronto Atendimento Tito Bianchini de Lages, na vigência da experiência do cenário eletivo. Relato de Caso: ASR, masculino, 70 anos, aposentado, casado, branco, morador de Lages-SC. É levado para a emergência depois de desmaiar quando estava na igreja. Sua esposa, a qual testemunhou o episódio, relata que ele ficou inconsciente durante aproximadamente 5 minutos. Quando acordou, ficou tonto por um minuto e depois se recuperou. Não apresentou crise convulsiva, ou outros episódios anteriores. Nos últimos meses sentia cansaço para realizar tarefas básicas de casa. Nega diabetes, hipertensão ou outras comorbidades, não faz uso de medicação. Ao exame físico apresentava-se em bom estado geral, lúcido, orientado, contactuante, hidratado, corado, eupnéico. A frequência cardíaca de 35 bpm, regular e a pressão arterial 118/72 mmHg. A ausculta pulmonar era normal, O ritmo cardíaco era regular e bradicárdico, sem deslocamento do ictus. Não apresentava déficits focais. Os exames laboratoriais mostravam hemograma, função renal, eletrólitos e enzimas cardíacas normais. O ECG sugeria bloqueio atrioventricular, possivelmente de terceiro grau. Discussão: As arritmias, geralmente as bradiarritmias, são a causa mais comum de síncope cardíaca. Nas síncopes as etiologias são variadas, mas todas resultam em diminuição transitória da perfusão cerebral, levando à perda de consciência. A bradicardia sinusal, por disfunção degenerativa do nó sinoatrial, o bloqueio de nó AV e a doença do nó sinusal são causas bradiarritmias de síncope. Há três tipos de bloqueio AV, todos perceptíveis nos ECG. O bloqueio AV de primeiro grau é o prolongamento do intervalo PR> 200 mseg (>1 quadrado grande), o prognóstico é bom e não há necessidade de marcapasso. Há dois tipos de bloqueio AV de segundo grau (Mobitz I, prolongamento progressivo do intervalo PR, Mobitz II, produz falhas de batimento sem prolongamento do intervalo PR). O bloqueio AV de terceiro grau é o bloqueio cardíaco completo, no qual o nó sinoatrial e o nó AV disparam em ritmos independentes. O ritmo atrial é mais rápido do que o ritmo de escape ventricular. Nesses pacientes, há indicação de marcapasso definitivo, especialmente quando há sintomas como intolerância aos esforços e síncope. Conclusão: Em relação ao paciente, foi dada atenção à causa do bloqueio atrioventricular e ao manejo inicial. Foi avaliado quanto à infarto agudo do miocárdio que não especificou este evento. Como o Pronto Atendimento é restrito, para uma melhor avaliação clinica, foi estabilizado o paciente, informado sobre seu estado de saúde e encaminhado à avaliação do cardiologista de forma urgente.



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