Icterícia neonatal decorrente de hiperbilirrubinemia indireta

sandra demoliner

Resumo


Trata-se de uma revisão bibliográfica acerca da icterícia neonatal decorrente de hiperbilirrubinemia indireta com base na observação e na prática em Pediatria na Unidade Educacional Eletivo de 2013. O objetivo é discutir a etiologia da icterícia neonatal e suas repercussões na prática pediátrica no Brasil. Na metodologia foram utilizados artigos com os descritores: icterícia neonatal, hiperbilirrubinemia indireta e saúde da criança. A icterícia refere-se à coloração amarelada dos tecidos, incluindo aqueles mais profundos. Em geral, é causada por grandes quantidades de bilirrubina nos líquidos extracelulares. Sua expressão clínica é denominada: hiperbilirrubinemia. A icterícia constitui a patologia mais freqüente no período neonatal, podendo se estimar que 60% a 80% dos recém-nascidos desenvolvam níveis séricos de bilirrubina superior a 5mg%. Na prática, segundo a Academia Americana de Pediatria 98% dos recém-nascidos (RN) apresenta níveis séricos de bilirrubina indireta (BI) acima de 1mg/dL durante os primeiros sete dias de vida. A icterícia decorrente de hiperbilirrubinemia indireta, por um processo patológico, pode gerar sequelas permanentes quando se alcançam concentrações elevadas, causando dano cerebral. Instala-se, assim, o quadro de encefalopatia bilirrubínica. Para esta situação, o termo “kernicterus†é reservado à forma crônica da doença, com sequelas permanentes resultantes da toxicidade da bilirrubina. A referida patologia se apresenta no RN devido a causas relacionadas aos sistemas digestivo e endócrino, ao parto em si e ao próprio metabolismo do recém-nado. Estão implicados, portanto, na icterícia decorrente de hiperbilirrubinemia indireta uma série de fatores como imaturidade hepática, ausência de proteínas necessárias à captação da bilirrubina direta, cefalo-hematomas, equimoses, ordenha de cordão ou demora no clampeamento deste e uma flora intestinal ainda não desenvolvida. O diagnóstico pode se dar observando-se a progressão céfalo-caudal e médio-lateral, por meio das zonas dérmicas de Kramer, uma avaliação clínica confiável para estimar a concentração sérica de bilirrubina em crianças ictéricas, sem a necessidade de amostras sanguíneas. Ela avalia a extensão em áreas de 1 a 5, via dígito-pressão. Há, ainda, outro meio de diagnosticar os níveis de bilirrubina, preconizado por ser mais preciso e, por isso, mais confiável: a avaliação da bilirrubina transcutânea no esterno. Este método de avaliação é preconizado, pois o de Kramer está sujeito à influência de muitos fatores externos, como habilidade do examinador, iluminação e pigmentação da pele. O tratamento da icterícia consiste em fototerapia, exsanguíneotransfusão, administração de drogas como metalo-porfirinas inibidoras da heme-oxigenase, fenobarbital, imunoglobulina standart venosa e, guardadas as suas particularidades, oferta láctea. Conclui-se, contudo, que há meios de prevenir ou minimizar os danos da icterícia neonatal avaliando o risco epidemiológico do RN para níveis de bilirrubina total altos, orientando pais e profissionais da saúde quanto ao reconhecimento e a conduta adequada ante a icterícia e, principalmente, instigando o aleitamento materno.

Palavras-chave


pediatria; icterícia; hiperbilirrubinemia



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