Doenças de Pele: Eritema multiforme.

Talita Anderson Molim Pires

Resumo


O presente estudo trata de uma revisão de literatura relativa ao tema eritema multiforme e tem o objetivo de apresentar as características clínicas dessa doença dermatológica. O tema surgiu a partir de uma experiência prática desenvolvida na Unidade Educacional Eletivo do curso de medicina, onde foi acompanhada a evolução de um paciente que apresentava quadro clínico clássico de eritema multiforme. Os dados foram obtidos através de revisão bibliográfica de artigos, livros e manuais publicados no período de 2001 a 2011. Descrito por Hebra em 1860, o eritema multiforme (EM) representa uma desordem inflamatória aguda, autolimitada, de máculas, placas urticarianas ou pápulas eritematosas simétricas, onde algumas evoluem para lesões em alvo, sendo associada frequentemente com lesões mucosas. Etiologicamente está mais relacionado com o herpes simples recidivante e outros agentes virais, mas também ha relatos de agentes infecciosos e exposição a certos medicamentos. Os achados clínicos são variáveis, as erupções costumam apresentar inicialmente distribuição acral e simétrica, a lesão característica é constituída por pápula ou placa circular eritematosa, que se expande perifericamente, enquanto o centro se torna purpúrico, originando lesões anulares concêntricas de diferentes tonalidades. Ocasionalmente surge vesícula ou bolha no centro da lesão, resultando na clássica lesão em alvo. Normalmente, as lesões são assintomáticas ou se acompanham de prurido. Lesões mucosas são vistas em até 70% dos pacientes, quase exclusivamente na cavidade oral. A evolução é benigna, com regressão das lesões sem sequelas em 1 a 3 semanas. EM é um diagnóstico clínico e deve ser diferenciado da urticária gigante, urticária vasculite, LES, penfigóide, doença de Kawasaki e várias formas de vasculite. Em caso de dúvida o exame histopatológico e a imunofluorescência permitem a diferenciação. Nos casos localizados, sem repercussão sistêmica, indica-se tratamento sintomático, podendo ser empregado antissépticos locais e corticoide tópico associado ou não a antibiótico. Anti-histamínicos orais podem ser necessários. Quando há suspeita de etiologia herpética pode ser utilizado o aciclovir (10mg/Kg/dia VO por 6-12 meses), que entretanto pode não modificar o curso depois de iniciado o processo. Sua maior indicação reside no uso profilático contínuo em doses menores, naqueles pacientes que apresentam EM recorrente associado à infecção herpética. Apesar do EM ser uma doença incomum, mais da metade dos casos estão relacionados com herpes simples, que assim como outras doenças de pele são frequentes na rotina de um médico. Assim, conclui-se que é tão importante saber as patologias mais prevalentes, como conhecer as menos comuns, visando dessa forma ampliar o raciocínio clinico.

Palavras-chave


Descritores: Doenças da Pele. Eritema multiforme. Dermatologia. Medicina.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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