Relato de Caso: Síndrome de Stevens Johnson em criança

rui rui cardoso

Resumo


A síndrome de Stevens Johnson(SSJ), foi descrita em 1922, por Stevens e Johnson, que descreveram fazendo parte desta, uma criança com febre, estomatite, envolvimento ocular grave e lesões cutâneas disseminadas, sendo assim um distúrbio sistêmico, relacionado a diversos fatores, tais como infecções virais ou bacterianas e, principalmente, a administração de medicamentos, em geral analgésicos, anticonvulsivantes e antibióticos. Descrevemos uma criança com esta afecção por tratamento de crise convulsiva com Ãcido Valpróico e Lamotrigina, diagnosticada com Síndrome de Stevens Johnson. INTRODUÇÃO: A síndrome de Stevens Johnson é caracterizada por reações mucocutâneas potencialmente fatais que resultam de hipersensibilidade a fatores precipitantes variados, como infecções por vírus, fungos, bactérias, enfermidades do tecido conjuntivo, neoplasias malignas, vacinas e múltiplos medicamentos1. A incidência aumenta com a idade e em determinados grupos de risco, nomeadamente nos doentes polimedicados, Relata-se aqui, um paciente com sinais prodrômicos e manifestações mucocutâneas típicas desta síndrome. RELATO DE CASO: Paciente, feminina, 8 anos, foi internada no Hospital Infantil Seara do Bem, por quadro neurológico à esclarecer e lesões maculopapulares mucocutâneas. Com quadro de crises convulsivas e Eletroencefalograma alterado deu-se diagnóstico de Epilepsia, e assim foi iniciado seu tratamento com Ãcido Valproico 250mg ao dia e Lamotrigina 25mg ao dia, surgindo no dia seguinte sintomas de hipoatividade. Com o passar dos dias apresentou tremor, hipotonia, incompetência de esfíncteres e vômitos, permanecendo por dois dias com este quadro. Sendo assim, foi suspendida a medicação pelos seus familiares, chegando ao hospital hipoativa, com confusão mental, hiporéxica e dificuldade de deambular. Apresentando linfadenopatia cervical e inguinal somadas as lesões em lábios, gengiva e pele, totalizando aproximadamente 10% da superfície corporal, sendo algumas, principalmente em mucosa e tórax confluentes, com Sinal de Nikolski positivo. Solicitados exames laboratorias verificou-se ausência de alteração em hemograma, TGO de 76, TGP de 60, Cálcio 8,8, PCR negativa, CPK de 70U/L, Sódio 142, Potássio 4,4, e TAP 12,30 com RNI de 1 e Eletrocardiograma normal. Ficando mais claro a SSJ. Sua conduta permaneceu com hidratação venosa, cuidados das lesões e controle da febre, que variou entre 36,2 e 35,5oC, sem tratamento medicamentoso. Tendo uma estabilização do quadro após internamento na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Infantil Seara do Bem, com poucas lesões crostosas foi dado alta hospitalar. DISCUSSÃO: A SSJ inclui achados muco cutâneos de lesões maculopapulares presente em até 10% da superfície corporal. Quando relacionados com fármacos, a SSJ surge em média 7 a 21 dias após o início do fármaco responsável6. A patologia é frequentemente precedida de uma fase prodrômica caracterizada por sintomas gerais: febre, mal-estar, mialgias, artralgias e tosse, com intensidade e duração variáveis, persistindo, em geral, não mais do que uma semana. CONCLUSÃO: O SSJ é uma doença que cursa com grande morbilidade e com uma mortalidade considerável. O seu reconhecimento é importante para que a intervenção clínica possa ocorrer o mais precocemente possível e a conduta é muito variável, sendo a principal de suporte para o doente.

Palavras-chave


criança;farmacodermia;manifestações.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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