O EDUCADOR HOMOAFETIVO NA EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÃPIO DE LAGES/SC

Josilaine Antunes Pereira, Geraldo Augusto Locks, Maria de Lourdes Pinto de Almeida

Resumo


Este trabalho analisa acompreensão e atuação de educadores que se assumem como sujeitos homoafetivosno contexto de um Centro de Educação Infantil Municipal (CEIM). Busca-se apartir de entrevistas semi-estruturadas dados recolhidos de 2 (dois) educadoresem fase de conclusão do curso de Magistério em nível de Ensino Médio e que atuaramno CEIM na condição de estagiários. Os depoimentos foram analisadosqualitativamente e submetidos a uma análise de conteúdo. A pesquisa permitiuidentificar as percepções dos educadores sobre o universo simbólico no qual seencontram inseridos, a orientação e identidade sexual, as razões das escolhaspelo curso do Magistério e pelo trabalho com a Educação Infantil; permitiuconhecer a trajetória percorrida por estes educadores para ingressar no CEIM;por último, a pesquisa possibilitou conhecer como os educadores avaliam suaspráticas pedagógicas e como são vistos por seus pares, crianças e pais. Algumaspercepções recolhidas nos contatos realizados por meio das entrevistas já podemser antecipadas. Os educadores concebem a identidade do sujeito homoafetivocomo uma condição na qual “nunca pararam para pensar nistoâ€. É possível pensarque suas orientações sexuais encontram-se tipificadas “naturalmenteâ€, do mesmomodo como se encontra naturalizado na vida social o padrão heterossexualclassificado como modelo hegemônico, por isto legítimo e válido. Esta situaçãonem sempre é problematizada no ambiente escolar, pelos indivíduos ou grupossociais. Ao contrário, o tema continua sendo tratado como tabu e objeto depreconceito. No campo empírico desta pesquisa a maioria dos profissionais daeducação continua sendo mulheres, fato corrente no mundo do trabalho educacionalno país. Contudo, no percurso da realização dos projetos de vida, os doiseducadores do CEIM escolheram o curso do Magistério pelo fato de desejarem aprofissão docente. Mas, a escolha pela Educação Infantil, afirmam serprovisória pois a fizeram pela necessidade do estágio curricular e desejamatuar em nível de escolarização dos anos iniciais, ou seja, de 1ª a 4ª séries.O ingresso no CEIM ocorreu regularmente, segundo os entrevistados, tendo boaacolhida por parte dos demais professores, funcionários, mães e as crianças. Aporta de entrada foi a abertura da gestora da instituição com a qual osprofessores já estabeleciam contatos antes do ingresso no CEIM. As práticaspedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil estão focadas no cuidar eeducar, ações que na expectativa da sociedade estão relacionadas com o papelsocial da mulher. Nesta perspectiva, os entrevistados afirmam não se sentirempreparados pois nunca trabalharam com crianças, contudo sentem-se muito bemdiante das crianças e em relação aos seus pares. Aliás, são estes que lhespassam as orientações, demandadas pela ação pedagógica. Em suma, esta pesquisa emcurso vem demonstrando que no plano da identidade sexual, a escolha peladocência na educação infantil independe da orientação sexual, dado que osobstáculos que podem emergir são construções sociais e culturais. E, que, noplano da formação do sujeito docente, a condição do educador homoafetivo,demanda processos de formação inicial e continuada tanto quanto qualquer outratipificação de orientação sexual seja homo ou heterossexual.

Palavras-chave


Educaçãoe diversidade, Educação Infantil, Educador homoafetivo



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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