INTERFACES COM A EDUCAÇÃO SEXUAL NO TRABALHO DOCENTE EM CURSO DE MEDICINA

Yalin Brizola Yared, Sonia Maria Martins de Melo

Resumo


A premissa levantada nesta pesquisa científica teve como ponto de partida preocupações existentes em caminhada anterior de uma das autoras em sua dissertação. Neste projeto, com orientação da co-autora, tem continuidade o tema em pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo geral é investigar a compreensão de docentes médicos e não médicos de Curso de Graduação em Medicina sobre o tema da educação sexual e como o mesmo é abordado ao longo das práticas curriculares. De cunho analítico-exploratório, a investigação será realizada por meio de entrevistas audiogravadas orientadas por questionário semi-estruturado, com foco na análise de conteúdo da compreensão e atuação de docentes médicos e não médicos do curso frente à temática, suas dimensões e implicações na formação médica. Estudos anteriores trazem indicadores de que várias comunidades escolares reconhecem nos médicos autoridade científica para educar sobre sexualidade decorrente do fato de tratarem da saúde do ser humano. Muitas escolas buscam então esses profissionais para ministrar palestras e/ou trabalhos de consultoria, ainda que os mesmos possam não estar preparados para abordar intencionalmente o tema numa perspectiva emancipatória. Segundo pesquisas anteriores há entre membros da classe médica uma consciência coletiva dessa sua autoridade na temática e de seus impactos na sociedade, por se reconhecerem como sujeitos que abordam temas que tangenciam questões éticas e morais. Entretanto, muitos também reconhecem que não estão preparados para abordar intencionalmente o tema da sexualidade por lacunas em sua formação e por considerarem o assunto altamente complexo no contexto social contemporâneo. Isto pode estar ocorrendo pela não inserção intencional emancipatória da temática em sua formação, com a possibilidade de muitos dos envolvidos não terem inclusive consciência de que os currículos ocultos vigentes que vivenciam estão plenos de sexualidade, expressas por vertentes pedagógicas repressoras de educação sexual. Nesta direção, inicialmente por meio de uma revisão teórico-bibliográfica, apresentar-se-á uma retrospectiva síntese dessa formação, buscando identificar nesses processos da construção do saber médico alguns indicadores de sua transformação em autoridade legitimada em procedimentos de educação sexual e de como esse entendimento naturalizou-se em vários ambientes escolares, inclusive nos próprios cursos de formação em Medicina. Sabemos do poder social singular desta profissão na sociedade contemporânea, mas há que resgatar que médicos são também pessoas sempre sexuadas, assim como os docentes médicos e não médicos dos cursos que os formam, para os quais também a construção da sexualidade ocorre ao longo da vida, por meio de muitas formas, influenciando seu modo de pensar, sentir e agir, possuindo, portanto, características singulares que se constroem e são construtoras de saberes e práticas, tanto individuais como coletivas. Essas reflexões apontam, portanto, para a necessidade urgente do desvelamento da compreensão de docentes médicos e não médicos de Curso de Medicina sobre a dimensão humana da sexualidade para contribuir com a construção de uma vertente pedagógica emancipatória de educação sexual.

Palavras-chave


Formação médica. Saber-fazer docente. Educação sexual emancipatória.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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